A saúde das emoções e a saúde do corpo – Especial Outubro Rosa


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Neste mês de outubro, convidamos terapeutas naturais para conversar a respeito da prevenção do Câncer de Mama numa perspectiva holística, buscando a harmonia de todo o ser.
Hoje a facilitadora em Biodança Claudia Gusmão traz a importância das emoções, da alegria e da amorosidade para a saúde integral da mulher.

A saúde das emoções e a saúde do corpo, por Claudia Gusmão

As emoções podem nos adoecer?

Claudia Gusmão, facilitadora de Biodança

Claudia Gusmão é facilitadora de Biodança

Considerando que nosso corpo emocional não está separado do nosso corpo físico, e que numa visão sistêmica um atua sobre o outro, podemos afirmar que quando há desequilíbrio entre esses corpos surgem as doenças. Além disto, estudos comprovam que as doenças denominadas psicossomáticas têm como pano de fundo as alterações que sofremos no nosso ‘ corpo emocional’. O pesquisador Arthur Jores, catalogando as enfermidades existentes no mundo, chegou a um número aproximado de duas mil doenças, das quais apenas quinhentas são comuns ao homem e aos animais. As outras mil e quinhentas ele denominou como “doenças da civilização”, herança do modo como a humanidade vem se desenvolvendo.

Outros estudos apontam que as principais causas das enfermidades mentais são determinadas por fatores econômicos, sociais e conjunturais, que desestabilizam o emocional. Dentro das questões sociais incluo os aspectos culturais, ou seja, questões da nossa sociedade e das nossas dificuldades em nos adaptarmos a ela, além disto a violência urbana, as guerras, a pobreza, as catástrofes e assim por diante.

Deste modo, podemos afirmar que há uma estreita ligação entre as principais doenças que são acometidas as pessoas e as questões emocionais. Maturana afirma que 99% das enfermidades humanas têm a ver com a negação do amor, a emoção central na história evolutiva humana. “Nós nos originamos do Amor e somos dependentes dele”. Dentre as várias especialidades debate-se hoje se primeiro apareceram os sintomas no corpo físico e depois as pessoas adoeceram emocionalmente (depressões e outros transtornos) ou ao contrário, elas já estavam doentes emocionalmente e por isto apresentaram sintomas no corpo (caso da fibromialgia, por exemplo). O que percebemos é que não dá para separar uma coisa da outra e quando falamos em prevenção da saúde, lidar com as questões emocionais é fundamental.

Como a alegria atua na saúde física e mental?

fashion-1284304Tanto a tristeza como a alegria são estados de humor que atuam na piora ou melhora de nossa saúde. Pessoas que entram em contato com a alegria sentem-se mais motivadas a buscar formas de sair de um estado de dor e da mesma forma, pessoas muito tristes se tornam imunodeprimidas, aumentando a sensação de dor dificultando a melhora do seu quadro de saúde.

Um filme que ilustra isto é Meu amigo Hindu (Hector Babenco), onde a personagem central encontra forças para vencer a própria doença num gesto solidário com uma criança que também se encontra na mesma condição de tratamento que ela. Outro filme baseado numa história real, Doutores da alegria, fala da importância de se levar a alegria e o conforto para pessoas que se encontram internadas, esse ainda inspira projetos dentro de vários hospitais.
Atualmente existem vários tratamentos que já cuidam da questão emocional junto com a questão corporal e desenvolvem atividades focadas na alegria e no movimento corporal, aliados ao uso de fármacos e a outras terapias afins. Para Maturana: “não há ação humana sem uma emoção que estabeleça como tal e a torne possível como ato”, refere ainda que “o amor é a emoção que constitui o domínio de nossas ações”, neste sentido é que consideramos importante estimularmos o contato e a expressão das emoções.

Como a amorosidade pode ser trabalhada?

Penso que o primeiro passo é se conhecer emocionalmente. Muito se tem falado de que vivemos numa sociedade completamente fragmentada e dissociada, onde na maior parte das vezes não estamos integrados com o nosso pensar, sentir e agir, por isto, pensamos uma coisa, sentimos outra e fazemos outra completamente diferente. Creio que devemos nos conectar mais com o nosso sentir, o pensar e o agir devem estar integrados a este sentir.heart-1450302

Quando reconhecemos nosso estado emocional, nos tornamos mais autênticos e mais fiéis a nós mesmos e não aos ditos sociais. Retomar a nossa capacidade de sentir e não estou falando só em sentir alegria, amor, contentamento. Ao fugir da dor, acabamos por ‘bloquear’ outros sentimentos. E, ainda mais, não nos permitimos sentir raiva, por não ser ‘socialmente aceitável’, então nos anulamos tanto diante da ‘miséria humana’ como também da ‘grandiosidade que somos’ e de inúmeras maravilhas que trazemos conosco. Agrega-se a tudo isto, o fato de sermos ‘bombardeados’ por emoções plásticas prontas, que não nos provocam nada mais além da mera contemplação, a exemplo das telenovelas e outros programas de massificação da população.

Ao fortalecermos nosso sentir também temos a possibilidade de desenvolver a empatia, pois uma pessoa que não tem amorosidade consigo mesma dificilmente consegue ter empatia com seu semelhante.

Neste sentido a proposta da Biodança é conectar-se com o sentir. Inicialmente sentir-se a si mesmo, como um ser único, com toda sua grandiosidade, e perceber que não está só, conectar-se com seu semelhante como ‘espelho’ de sua própria identidade. Por isto a Biodança é desenvolvida em grupo.

Para Rolando Toro, criador deste sistema vivencial, ‘a identidade se revela na presença do outro’, não podemos ver no outro aquilo que não vemos em nós mesmos. Neste sentido, quando Rolando Toro define a Biodança como “um sistema de integração humana, de renovação orgânica, de reeducação afetiva e de reaprendizagem das funções originárias da vida”, defende a ideia de que já trazemos conosco, no nosso modelo genético, as respostas vitais para nosso desenvolvimento.

silhouette-1479058Durante uma sessão de Biodança, por meio da música, do canto, de movimentos expressivos e da presença do grupo podemos nos conectar com estes potenciais. A Biodança visa a ativação desses potenciais genéticos, definidos em cinco linhas de vivencias: vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade e transcendência, que são estimuladas por meio de exercícios/vivências durante as aulas e contribuem para integrar os nossos centros mental, emocional e visceral.

Tendo como base o Princípio Biocêntrico, a Biodança nos leva a assumirmos um compromisso com a vida e com o “puro ato de viver”. Exercitamos nossa amorosidade ao estimular, a partir da afetividade, a integração do pensamento com a ação, do indivíduo com sua espécie e com a natureza.

Por fim, gostaria de trazer o pensamento do filosofo Espinosa ao tratar sobre as afecções humanas, diz: “é absurdo querer viver sem paixões. Elas são naturais e o sábio apenas pretende saber como conviver com elas, o que fazer com elas e não contra elas”.

 

Claudia é facilitadora e didata de Biodança pela Internacional Biocentric Foundation e ministra vivências em Curitiba, PR. Realiza encontros nas segundas-feiras, no Instituto TaoZen. É também secretária na Associação de Biodança do Paraná, que pode ser acessada pelo Facebook.

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